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terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Mulher que Chama, Homem Mudelim Epopeia em Cantos
CANTO I — Da Origem do Chamamento
Antes que o tempo abrisse as suas margens, quando a noite era informe e sem memória, surgiu a Mulher, fonte das passagens, semente oculta da futura glória.
Não trouxe espada, lei ou estandartes, mas no silêncio acendeu o primeiro dia; no seu olhar cabiam todas as partes do mundo ainda em pura poesia.
Ela chamou — não com som, mas destino; chamou o homem do pó e da errância, para que fosse caminho e peregrino, voz desperta no meio da distância.
— Escuta — disse a alma do seu gesto — que há um fogo maior que o medo agreste.
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CANTO II — Do Despertar do Homem
O homem ouviu no fundo do seu ser um eco antigo, mais velho que o nome; ergueu-se então, como quem vai nascer, e deixou para trás a sombra e a fome.
No peito fez-se torre levantada, minarete voltado ao firmamento; a carne, outrora barro e madrugada, vestiu-se agora de eterno chamamento.
Não para reinar se fez sua voz, nem para ferir, nem para dominar; mas para anunciar aos povos sós a hora sagrada de recomeçar.
Assim nasceu o homem-mudelim: servo do alto, mensageiro do fim.
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CANTO III — Do Canto que Atravessa o Mundo
Quando a Mulher chama, o mundo escuta, ainda que finja dormir no seu rumor; o homem, em canto, transforma a luta em verbo vivo, em promessa de amor.
Proclama aos ventos, às águas e aos montes que há luz guardada no fundo da noite; recorda aos homens as suas fontes e chama o dia a romper o açoite.
Ele canta a vida contra o esquecimento, a fé contra a queda repetida; canta a esperança como juramento de que não foi em vão a ferida.
E o canto corre de era em era, como mar que insiste na terra.
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CANTO IV — Do Sagrado Entre Dois
Sem a Mulher, a voz seria deserto; sem o Homem, o chamamento silêncio. Mas quando ambos cumprem o concerto, nasce o sagrado no meio do tempo.
Ela é estrela fixa no caos humano, ele é caminho traçado no chão; juntos sustentam o rito arcano que une céu, palavra e mão.
E dizem os céus, ao vê-los passar, que ainda é possível ao mundo erguer-se; pois onde um chama e outro sabe escutar, a eternidade volta a dizer-se.
Aqui termina o canto escrito; que outro o continue — se for eleito.
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