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quinta-feira, 16 de julho de 2026
A afundar-me
[16/07, 20:22] Emanuel Andrade: Se um dia encontrar aquilo que estou a desvendar.
Farei de novo as pazes comigo e me perdoarei novamente,
Entre caminhos e atalhos procuro a gema para lapidar e moldar argonomicamente a meu ser, neste palheiro é dificil encontrar a espiga certa para falar, é preciso comunicar das dualidades que a vida tem entre o tudo e o todo.
Nāo basta desejar, é uma continua procura mininciosa e cirugica.
Quando julgo encontrar lanço palavras soltas umas com sentido, outras desmedidas da minha força do viver.
Será que estou certo na busca diária, nāo quero desistir, as forças negativas cercam-me, e eu mesmo a sentir-me afogar venho ao cimo do mar, respiro um pouco de ar e vou para as profundezas a procura de tesouros e da sereia que vi em terra.
Será fruto da minha imaginaçāo uma miragem ou um delirio em declinio para por o caos em ordem, neste cosmo infinito do nada e do tudo.
[16/07, 20:34] Emanuel Andrade: Explicação
A frase inicial, "Se um dia encontrar aquilo que estou a desvendar, farei de novo as pazes comigo e me perdoarei novamente", revela o desejo de alcançar uma verdade interior. O eu poético acredita que, ao compreender quem realmente é, conseguirá reconciliar-se consigo próprio e libertar-se das culpas do passado.
A "gema para lapidar" simboliza o potencial escondido dentro de si. Tal como uma pedra preciosa precisa de ser trabalhada para revelar o seu brilho, também o ser humano necessita de crescimento, disciplina e experiência para desenvolver a sua verdadeira essência.
A imagem do "palheiro" representa a dificuldade da procura. Encontrar "a espiga certa" significa descobrir as palavras, o caminho ou a verdade adequada entre inúmeras possibilidades. É uma metáfora para a complexidade da vida.
Quando escreve que é preciso comunicar "das dualidades que a vida tem entre o tudo e o todo", reflete sobre os contrastes da existência: luz e sombra, esperança e desespero, razão e emoção, vazio e plenitude. O texto sugere que a realidade é feita de opostos que coexistem.
Ao afirmar que "não basta desejar", o autor reconhece que a transformação exige uma procura constante, paciente e quase cirúrgica. O crescimento interior não acontece por acaso, mas através de um trabalho contínuo.
As "palavras soltas" representam a tentativa de dar forma aos pensamentos. Algumas expressam com precisão o que sente; outras nascem da intensidade emocional e podem parecer excessivas, refletindo a luta entre emoção e controlo.
A metáfora do mar é central. Afundar-se simboliza enfrentar os medos, o sofrimento e o inconsciente. Subir à superfície para respirar representa os momentos de alívio e renovação. Voltar às profundezas significa persistir na busca dos "tesouros", ou seja, das verdades mais profundas sobre si próprio.
A "sereia que vi em terra" é um símbolo particularmente rico. Pode representar um ideal aparentemente impossível, uma inspiração, um amor, uma verdade ou uma beleza que desafia a lógica. Como uma sereia pertence ao mar, vê-la em terra cria uma imagem de algo extraordinário, talvez impossível de alcançar.
O final — "Será fruto da minha imaginação, uma miragem ou um delírio em declínio para pôr o caos em ordem, neste cosmo infinito do nada e do tudo" — exprime a dúvida filosófica. O eu poético questiona se a sua procura é uma revelação genuína ou apenas uma construção da mente. Apesar da incerteza, continua a tentar encontrar sentido e ordem num universo onde o vazio e a plenitude coexistem.
No conjunto, o poema transmite uma mensagem de perseverança. Mesmo cercado por forças negativas e pela dúvida, o narrador continua a procurar a verdade sobre si próprio, acreditando que essa descoberta conduzirá ao perdão, à paz interior e à integração do caos numa unidade mais profunda. Trata-se de um texto de forte dimensão simbólica, espiritual e filosófica, onde a viagem exterior é, acima de tudo, uma viagem ao interior do próprio ser.
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