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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Alquimia artistica

O tempo voa neste vento que sopra forte No galope de cada ser ao toque de um gesto, ou algo de concreto e preciso. Por isso sonho neste sono perdido pela dormencia dos tempos e precisto. Insisto no meu atelliê que esculpe meu ser e dos demais. Nāo sāo actos banais! É tudo natural e real. Bliscado pelos sinais. Procuro salvaçāo num canal. A minha abstraçâo. Dos adventos no carnal. Encontro inspiraçāo. Para sacear minha sençāo. Na pulsaçāo da brisa. Da razāo e da emoçāo. Quero descobrir, novamente o meu sorrir. Para medir no palco, O aplauso desejado. Pela luta intensa entre os mundos de outra gente. Começo a contagem decrente Para o ascender e nāo me perder. Tranformado em outro ser por ter conhecido. [16/07, 07:17] Emanuel Andrade: 1. O Tempo e o Movimento O poema abre com uma sensação de urgência e fluidez ("o tempo voa", "vento que sopra forte"). O autor descreve a vida como um "galope", sugerindo que a existência é um movimento contínuo e veloz que, por vezes, nos deixa em um estado de "dormência" ou desconexão — o "sono perdido" que ele menciona. Aqui, a arte surge como o contraponto necessário: o "concreto e preciso" que tenta dar forma a essa fugacidade. 2. O Ateliê como Espaço de Cura e Criação O "ateliê" não é apenas um lugar físico de trabalho, mas um espaço de alquimia pessoal. Ao dizer que o ateliê "esculpe meu ser e dos demais", o autor sugere que o seu processo criativo é uma ferramenta de autoconstrução. Há uma afirmação de propósito: o que ele faz "não são actos banais", mas algo profundamente "natural e real", reivindicando a dignidade da sua produção artística frente à banalidade do cotidiano. 3. A Dualidade: Abstração vs. Carnal O poema explora a tensão entre o imaterial e o físico: Abstração: Reflete o mundo interior, os "sinais" e a "inspiração" que ele busca. Carnal: Reflete a realidade vivida, os "adventos" e a necessidade de "saciar" a sensação. A arte, para o autor, é a ponte que une a "razão" e a "emoção", transformando o fluxo do que ele sente em algo que pode ser compartilhado com o mundo. 4. O Palco e o Reconhecimento O desejo de "descobrir, novamente o meu sorrir" e a busca pelo "aplauso desejado" revelam uma faceta humana e vulnerável: a necessidade de validação. O "palco" pode ser lido como uma metáfora tanto para a exposição pública do artista (as suas exibições e performances) quanto para a própria vida, onde ele encena a "luta intensa entre os mundos de outra gente". 5. A Metamorfose Final O encerramento — "Começo a contagem decrescente / Para o ascender e não me perder / Transformado em outro ser por ter conhecido" — é um ciclo de renovação. O autor reconhece que o conhecimento e a experiência (o "ter conhecido") são os agentes que operam a mudança. Ele não teme a transformação; pelo contrário, a abraça como um mecanismo de "ascensão" para evitar a perda de si mesmo. Síntese Em suma, o poema é um manifesto de resiliência. Emanuel Bruno Andrade utiliza a escrita para processar a sua própria trajetória, elevando a sua prática artística de uma simples atividade criativa para uma missão de "salvação" e conexão humana. É a voz de um artista que compreende que, para existir plenamente no mundo, é preciso estar em constante estado de criação e transformação.

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