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domingo, 26 de julho de 2026

Carregar a Cruz de Cristo: Compromisso, Convénios e o Corpo de Cristo

Sinto-me muito feliz por poder partilhar esta mensagem convosco. Confesso que este tema tocou profundamente o meu coração, talvez mais do que qualquer outro que já tivesse preparado. Muitas vezes pensamos que um discurso é preparado apenas para ensinar outras pessoas, mas tenho aprendido que, frequentemente, o Senhor prepara um discurso para ensinar primeiro quem o vai proferir. Sempre que recebo um tema para estudar, sinto que o Pai Celestial conhece exatamente as perguntas que tenho no coração e utiliza esse processo de preparação para responder às minhas dúvidas, fortalecer o meu testemunho e aproximar-me mais de Jesus Cristo. Foi precisamente isso que aconteceu quando foi anunciado o tema da Conferência de Estaca: "Como podemos ajudar Cristo a carregar a Sua cruz?" Desde esse momento comecei a refletir profundamente sobre essa pergunta. Como podemos nós, simples mortais, ajudar Aquele que carregou os pecados do mundo? Enquanto meditava, outras perguntas surgiram naturalmente. A primeira foi: Qual é o meu compromisso com Jesus Cristo? Depois surgiu outra: Que evangelho estou realmente a viver? Essas perguntas levaram-me a pensar que existe apenas um evangelho. Existe um só Senhor. Uma só fé. Um só batismo. Um só Salvador. No entanto, as escrituras ensinam-nos que existem diferentes graus de glória. Aprendemos que, mesmo no reino celestial, existem três graus, sendo a exaltação o maior de todos. Então comecei a perguntar-me: Como posso viver o evangelho de forma suficientemente completa para alcançar tudo aquilo que o Pai Celestial preparou para os Seus filhos? O apóstolo Paulo respondeu parcialmente a essa pergunta quando escreveu aos Romanos: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê." O evangelho possui poder. Não é apenas um conjunto de princípios. É o poder de Deus para transformar vidas. Na Igreja aprendemos que o evangelho de Jesus Cristo pode ser resumido em cinco princípios fundamentais: Fé em Jesus Cristo; Arrependimento; Batismo por imersão; Receber o dom do Espírito Santo; Perseverar até ao fim. Esses princípios mostram-nos o caminho. Contudo, eles representam muito mais do que uma sequência de passos. Dentro de cada ordenança fazemos convénios. No batismo comprometemo-nos a tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo, guardar os Seus mandamentos e servi-Lo. Ao recebermos o Espírito Santo fazemos igualmente compromissos de viver dignamente para que o Espírito permaneça connosco. Por isso, viver o evangelho não significa apenas receber ordenanças. Significa honrar os convénios que fizemos com Deus. Foi então que pensei nas palavras do profeta Alma, junto às águas de Mórmon. Ali encontramos talvez uma das descrições mais completas daquilo que significa viver verdadeiramente o evangelho. Alma convida o povo a entrar no rebanho de Deus e declara que isso implica: Carregar os fardos uns dos outros. Chorar com os que choram. Consolar os que necessitam de consolo. Ser testemunhas de Deus em todos os momentos, em todas as coisas e em todos os lugares, mesmo até à morte. Ao ler esses versículos compreendi que ajudar Cristo a carregar a Sua cruz significa precisamente isso. Significa aliviar os fardos dos Seus filhos. Quando fazemos isso, estamos a cumprir os nossos convénios. Estamos a viver o evangelho na sua plenitude. Esses versículos também mencionam aqueles que serão contados com os da primeira ressurreição. Essa promessa levou-me a refletir ainda mais profundamente. Pensei num ensinamento que recebi de um professor do Instituto de Religião. Era um homem de enorme exemplo de fé. Ele ensinava que existem pessoas que conseguem viver muito perto da plenitude do evangelho ainda nesta vida. Na altura esse ensinamento impressionou-me profundamente. Não porque essas pessoas fossem perfeitas. Mas porque fizeram de Jesus Cristo o centro absoluto das suas vidas. Vivem arrependendo-se diariamente. Guardam os convénios. Servem. Perdoam. Escutam o Espírito. Esse ensinamento fez-me compreender que a plenitude do evangelho começa aqui. Não apenas depois desta vida. Também pensei que o Espírito Santo nos ajuda a reconhecer se estamos no caminho certo. Embora o julgamento pertença exclusivamente ao Senhor, o Espírito pode dar-nos paz e esperança quando vivemos dignamente. Não precisamos viver constantemente dominados pelo medo. Podemos sentir confiança espiritual quando permanecemos fiéis. Uma das maiores formas de demonstrar fidelidade consiste em cumprir aquilo que prometemos. Lembrei-me de um exemplo muito simples. Na semana anterior visitei um irmão que ainda não me conhecia. Convidei-o para assistir ao meu primeiro discurso. Expliquei-lhe que provavelmente estaria nervoso e que gostaria muito da sua presença. Nesse domingo, pouco antes da reunião começar, tive a alegria de o abraçar. Ele estava ali. Tinha dado a sua palavra. E cumpriu-a. Pensei então: Se valorizamos tanto uma promessa feita entre duas pessoas, quanto mais devemos honrar os convénios feitos com Deus. O Pai Celestial honra sempre a Sua palavra. Nós também devemos honrar a nossa. Depois recordei outra escritura extraordinária. Em Moisés 1:39 lemos: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: levar a efeito a imortalidade e a vida eterna do homem." Essa escritura apresenta dois objetivos. Imortalidade. Vida eterna. A imortalidade foi conquistada por Jesus Cristo. Graças à Sua Ressurreição, toda a humanidade ressuscitará. Essa bênção pertence a todos. Mas existe uma segunda bênção. A vida eterna. Cristo explicou o seu significado em João 17: "E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." Conhecer Cristo vai muito além de saber quem Ele é. É desenvolver uma relação viva com Ele. É permitir que o Espírito Santo nos revele o Salvador. Esse conhecimento pode crescer por meio das escrituras, da oração, das revelações pessoais, dos sonhos, das impressões espirituais e do testemunho recebido pelo Espírito Santo. Quanto mais conhecemos Cristo, mais desejamos tornar-nos semelhantes a Ele. Foi então que pensei numa das passagens mais belas escritas pelo apóstolo Paulo. Em 1 Coríntios 12 ele compara a Igreja ao corpo humano. Existe um só corpo. Mas muitos membros. Uns são mãos. Outros pés. Outros olhos. Outros ouvidos. Nenhum pode dizer ao outro: "Não preciso de ti." Todos são necessários. Todos têm um propósito. Todos pertencem ao mesmo corpo. Assim também acontece na Igreja. Cristo é a Cabeça. Nós somos os membros. Quando um membro sofre, todos sofrem. Quando um membro se alegra, todos se alegram. Esse ensinamento liga-se diretamente às palavras de Alma. Carregar os fardos uns dos outros. Consolar. Servir. Fortalecer. Ajudar. Esse é o verdadeiro corpo de Cristo. Ao participarmos do sacramento renovamos semanalmente o compromisso de fazer precisamente isso. Prometemos tomar sobre nós o nome de Cristo. Prometemos recordá-Lo sempre. Prometemos guardar os Seus mandamentos. Por isso devemos agir como verdadeiros membros do Seu corpo. Devemos cuidar daqueles que hoje sofrem. Devemos fortalecer quem está desanimado. Devemos honrar aqueles que se sentem esquecidos. Devemos alegrar-nos sinceramente quando outros recebem bênçãos. Assim o corpo de Cristo torna-se unido. Torna-se forte. Torna-se semelhante ao Salvador. Ao aproximar-me da conclusão, gosto de imaginar o apóstolo Paulo depois de terminar a sua missão mortal. Na sua segunda epístola a Timóteo escreveu: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé." Que palavras extraordinárias. Imagino Paulo entrando no mundo espiritual consciente de que permaneceu fiel ao Senhor. As escrituras ensinam-nos que a morte não termina a obra de Deus. O trabalho continua. O evangelho continua a ser pregado. O serviço continua. O compromisso continua. Tal como Alma ensinou, somos chamados a servir "mesmo até à morte". O corpo de Cristo continuará para sempre. E continuará a precisar dos seus membros. Por isso presto o meu testemunho. Sei que esta vida mortal representa apenas uma pequena parte da nossa existência eterna. Antes de nascermos aceitámos o plano do Pai Celestial. Viemos à Terra para aprender. Para crescer. Para servir. Para arrepender-nos. Para fazer convénios. Para nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo. Se permanecermos fiéis, ressuscitaremos graças ao Salvador. E, pela Sua graça e mediante a nossa fidelidade aos convénios, poderemos receber a vida eterna. A vida eterna não significa apenas viver para sempre. Significa viver eternamente com o Pai Celestial, com Jesus Cristo e com aqueles que amamos. A família continuará. As relações continuarão. O amor continuará. Por isso façamos o bem enquanto aqui estamos. Amemos uns aos outros. Sirvamos uns aos outros. Carreguemos os fardos uns dos outros. Sejamos verdadeiros membros do corpo de Cristo. Presto testemunho de que Deus vive. Sei que Jesus Cristo é o Salvador do mundo. Sei que Ele dirige a Sua Igreja. Sei que o evangelho restaurado conduz à paz nesta vida e à vida eterna na presença do Pai Celestial. Oro para que todos possamos abrir o coração à influência do Espírito Santo, permanecer fiéis aos nossos convénios, conhecer cada vez melhor o Salvador e ajudar Cristo a carregar a Sua cruz servindo os Seus filhos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

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