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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Entre o Celeste e o Desejo

No dilema do vai e vem, procuro a essência perdida, o estado que de ti advém, aquela Musa, vinda do Além, que ilumina a minha vida. Ninfa errante, de olhar profundo, caminhas entre o sonho e o mundo, à procura da medida que complete o meu ser, fragmento de alma que deseja renascer. Num balanço entre ti e o infinito celeste, estás presente no meu todo, e no tudo que me deste encontro a parte de mim que em silêncio procurava. No fogo brando do nosso calor, replica-se o reflexo de dois universos em sintonia; e sob o estrelado do sol, na pulsação da energia vital, desperta aquilo que é natural: o desejo e a vontade de entrelaçar caminhos, de tocar a verdade sem perder os próprios sentidos, de nos perdermos no instante para nos encontrarmos mais inteiros. E assim, entre o ser e o estar, entre o terreno e o divino, deixo a alma navegar no teu horizonte peregrino. Porque talvez amar seja esse eterno movimento: ir e voltar, perder e encontrar, até descobrir, dentro do outro, a parte de nós que sempre procurámos. E no silêncio desse encontro, quando já nada há para dizer, fica apenas o sentimento — essa forma invisível de saber que, entre o meu universo e o teu, há um lugar onde somos um só sem deixarmos de ser nós.

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